CBH-LN participa de oficina para fomento a projetos de proteção das águas
A Câmara Técnica de Proteção das Águas (CT-PA) do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH) realizou no dia 25 de junho, no Zoológico de São Paulo (SP), uma oficina para elaboração de estratégia de proteção das águas no Estado de São Paulo. A oficina contou com 44 participantes, representando diversos Comitês de Bacias do Estado e órgãos públicos. O Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) foi representado pelo membro da Secretaria Executiva, Leon Padial, e pela representante suplente do segmento Estado, Gabriele Cerqueira Sant Anna. O objetivo da oficina foi fomentar projetos de proteção das águas no Estado de São Paulo, que foquem em ações relacionadas ao planejamento e gestão de recursos hídricos, controle de processos erosivos, soluções baseadas na natureza e proteção de mananciais (sub-PDCs 1.2, 4.1, 4.2 e 4.3*).

A partir de uma dinâmica, foram elencados desafios para a proteção das águas em várias frentes, como aspectos legais, fomento e implementação de projetos, comunicação e engajamento. Alguns desafios apontados nas discussões foram: a insuficiência de equipes técnicas nas prefeituras para elaboração e condução de propostas; o baixo número de tomadores de recursos habilitados e reduzida quantidade de organizações da sociedade civil com corpo técnico preparado, resultando em poucas propostas apresentadas e elevadas taxas de cancelamento durante a execução dos empreendimentos; a deficiência na comunicação e divulgação da existência dos recursos do FEHIDRO e dos mecanismos de acesso para potenciais tomadores; entre muitos outros.
Nas áreas litorâneas, foram apontados desafios específicos como a insuficiência de medidas preventivas para conter ocupações e parcelamentos irregulares de terra, com relatos de falta de fiscalização pública, e preocupações com os impactos e pressões ambientais gerados pelo turismo de massa.
Além dos desafios, foram discutidas ações e atividades voltadas ao fomento de projetos de proteção das águas. Na área de capacitação, por exemplo, foram registradas sugestões para realização de oficinas de elaboração e contratação de projetos, criação de banco de projetos de sucesso e modelos com termos de referência. Também houve sugestões focadas na prospecção de áreas de implantação dos projetos de restauração ecológica, melhoria da comunicação dos editais, entre outras.
Durante as discussões, o representante do CBH-LN, Leon Padial, apresentou a experiência da Câmara Técnica de Agroecologia, considerada uma iniciativa inovadora que ainda não existe em outros Comitês e que poderia ser replicada. Também destacou a importância de estimular a participação da juventude nos CBHs, sugerindo a criação de um Parlamento Jovem das Águas. Além disso, defendeu a adoção de mecanismos de acesso aos recursos que considerem critérios de diversidade entre os tomadores, bem como a promoção da equidade de gênero, raça e a valorização das comunidades tradicionais.
Na atividade final da oficina, foi realizada uma dinâmica voltada à definição de ações, em que cada Comitê assumiu compromissos com a agenda de proteção das águas. “Nos comprometemos a levar essa discussão para o CBH-LN, dialogando com os diferentes segmentos sobre os desafios da nossa região e sobre como podemos contribuir com a estratégia da CT-PA. Iniciaremos este mês um diálogo sobre o fomento de projetos de proteção das águas na próxima reunião da CT-Agroecologia”, disse Leon Padial.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
CBH-LN participa de integração entre Câmaras Técnicas de Educação Ambiental do Estado de SP
O Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) participou do encontro de integração das Câmaras Técnicas de Educação Ambiental do Estado de São Paulo (CT-EAs) realizado em agosto no Jardim Botânico Irmãos Villas Bôas, no município de Sorocaba. Quem representou o CBH-LN no encontro foi o membro da Secretaria Executiva do colegiado, Leon Santos Padial.
O evento foi organizado pela Câmara Técnica de Educação Ambiental, Capacitação, Mobilização Social e Informações em Recursos Hídricos do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CT-EA/CRH), Escola das Águas da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) e Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Sorocaba e Médio Tietê (CBH-SMT). O objetivo foi promover a troca de experiências entre as CT-EAs dos Comitês paulistas e discutir a relação entre educação ambiental e os Planos de Bacias Hidrográficas.
Pela manhã, os participantes assistiram a duas palestras focadas na gestão e governança das águas. A primeira abordou a utilidade dos Planos de Bacias e Relatórios de Situação para o reconhecimento socioambiental e dos atores do território. A segunda propôs discutir o papel da educação ambiental na construção de uma governança resiliente, indo além da sensibilização. Na sequência, um painel apresentou o panorama dos projetos e programas desenvolvidos pelas CT-EAs dos Comitês, destacando como essas iniciativas se integraram aos Planos de Bacias.
No Litoral Norte, nos últimos 5 anos, foram executados 10 projetos com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) pelo PDC 8, que corresponde ao eixo voltado à educação ambiental, cursos de formação e difusão de informações sobre a gestão das águas. São iniciativas que abordam temas como práticas agrícolas, tratamentos de esgotos, crise climática, resíduos sólidos, compostagem, tecnologias sustentáveis, monitoramento hídrico, educomunicação, entre outros temas.
“No Litoral Norte nós temos uma sociedade civil muito ativa e propositiva na área da educação ambiental, o que traz para o Comitê uma qualidade diferenciada na execução de projetos dessa temática. Pela experiência e qualidade das entidades da região, temos conseguido avançar bastante nessa área no nosso Plano de Bacias”, ressalta Leon Padial. Porém, ele observa que essa não é a realidade de todos os Comitês. “Durante as discussões do evento, membros de diversos Comitês mencionaram dificuldades como falta de prioridade de recursos, falta de projetos e de tomadores na área de educação ambiental”.
No período da tarde, a programação foi dedicada a uma oficina participativa, que teve o objetivo de aprofundar as reflexões e discussões iniciadas na parte da manhã, reunindo as contribuições dos participantes para elaborar recomendações que visam aprimorar e fortalecer a integração entre a educação ambiental e os Planos de Bacias.
Os Planos de Bacias Hidrográficas servem para orientar a sociedade e os tomadores de decisão para a recuperação, proteção e conservação das águas das bacias ou regiões hidrográficas correspondentes. A discussão proposta no encontro em Sorocaba se deu em um momento estratégico, em que está sendo definido o Termo de Referência do Programa IntegraBacias, que abrirá uma licitação única para padronizar e elaborar os planos de várias Unidades de Gestão de Recursos Hídricos (UGRHs) paulistas de forma conjunta. Um ponto importante levantado durante as discussões é incorporar a educação ambiental como dimensão transversal dos processos de planejamento e gestão dos recursos hídricos. O CBH-LN aderiu ao IntegraBacias e já possui um grupo de trabalho que está acompanhando o andamento do Programa.
A CT-EA/CRH pretende dar continuidade aos encontros de integração das CT-EAs e promover outros encontros em diferentes localidades do Estado.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba apresenta ações na Câmara Técnica de Educação Ambiental do CBH-LN

Na reunião de 12 de agosto de 2026 da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA) do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), a escritora, ilustradora e artista plástica Rosana Gaeta realizou uma apresentação sobre a Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba.
Rosana contou que a rede foi formada em 2025, com o objetivo de proteger, recuperar e preservar o manguezal de Ubatuba. Os manguezais são ecossistemas de alta complexidade biológica, compostos pelo estuário (parte aquática, contendo água doce e salgada) junto com bosque ou floresta de mangue (vegetação típica costeira adaptada a solos lamacentos e salinos). É um ecossistema muito importante, funciona como berçário da vida marinha, auxilia na proteção costeira, armazenamento de carbono e ciclagem de nutrientes.
A Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba foi formada pela sociedade civil e agrega diversos coletivos, incluindo instituições governamentais e cidadãos interessados em participar. “Decidimos ampliar as vozes do manguezal a partir destas questões: Como saber onde começa e acaba o manguezal de Ubatuba? Como encantar? O que e quem protege o manguezal? Trabalhando em três grandes frentes: o diagnóstico participativo, a educação, mobilização e geração de renda e a incidência política”, explicou Rosana.
O diagnóstico participativo consiste no mapeamento dos manguezais, identificação dos problemas e demandas locais, restauração e monitoramento. A educação, mobilização e geração de renda envolve atividades com arte em escolas, vivências, educomunicação comunitária, turismo de base comunitária e formação e fortalecimento dos guardiões do manguezal. A incidência política atua junto aos órgãos públicos e espaços de decisão.
A rede é um grupo horizontal que conta com a atuação de voluntários. Entre as atividades já realizadas, Rosana comentou sobre as ações no manguezal da Maranduba (expedição terrestre e fluvial, ações educativas socioambientais de identificação, observação e conversação), e sobre a roda de conversa com a Professora Yara Schaeffer-Novelli, referência na conservação dos manguezais brasileiros. O grupo também já realizou ações de limpeza, produziu materiais educativos, colocou placas informativas e iniciou a observação de espécies invasoras e exóticas dominantes para encaminhar pedido de autorização para remoção.
Segundo Rosana, um dos maiores desafios é fazer a fiscalização funcionar. Apesar de legalmente protegido, ela aponta que o manguezal continua sendo aterrado para construção de casas, prédios, etc. Outro grande desafio destacado por Rosana é a preservação dos córregos associados aos manguezais. “Os córregos estão sendo encanados ou assoreados pela erosão, por construções, despejo de resíduos sólidos e líquidos. Como já existem leis de proteção, nosso maior objetivo é fazer com que elas possam valer em nosso território”, defendeu a escritora.
Para acompanhar as ações da Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba, siga no Instagram: @vozesdomanguezaldeubatuba
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Jovens participam de formação em educomunicação e lançam publicações em diversos formatos

Entre 2025 e 2026, jovens do Litoral Norte de SP participaram da formação em educomunicação do projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática” do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), com financiamento do FEHIDRO. A partir dessa formação, diversos produtos foram lançados, em diferentes formatos: plataforma digital, curta-metragem, fanzine, cordéis. Esses produtos, que expressam a voz da juventude, falam de temas como cultura caiçara, mudanças climáticas e educação ambiental.
Lançada no Dia Mundial da Juventude, em 12 de agosto, a plataforma digital Cumbuca (cumbuca.org) reúne narrativas da juventude brasileira sobre seus territórios, conectando a crise climática global às suas realidades locais. “A Cumbuca nasceu durante a formação, como um movimento de jovens comunicadores populares do Litoral Norte. Para mim, ela representa muito mais do que um produto da formação. Representa a possibilidade de a juventude se organizar e construir uma comunicação feita por quem vive o território e conhece seus desafios. A Cumbuca é uma forma de acompanhar o que acontece em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e em todo o nosso litoral, trazendo para a comunicação as questões ambientais, climáticas, sociais e políticas que impactam nossas comunidades”, conta a pescadora e caiçara Mariana Cruz.
Ela participou da formação em educomunicação e produziu, junto com a filha Jennifer Maiara, uma coleção de cordéis sobre a vida, a cultura e a resistência caiçara. “Uma forma de valorizar nossa história e contar a nossa própria narrativa”, explica Mariana. Os três pequenos livros da coleção Cumbuca, com belos textos e ilustrações, são intitulados “Infância e Território”, “Terra Caiçara” e “Uma caiçara na COP 30”.

“Eu já estou há alguns anos na luta pelas comunidades tradicionais pesqueiras e caiçaras e percebo que ainda precisamos aproximar mais a juventude das discussões sobre crise climática, meio ambiente e defesa dos territórios. A formação mostrou que a tecnologia e a internet podem ser muito mais do que ferramentas de comunicação: podem ser instrumentos de luta, mobilização e transformação”, reflete Mariana.
Outro produto resultado da formação é o curta-metragem de animação “Viva Mangue”, que marca a estreia de Ana Beatriz dos Santos Oliveira (conhecida artisticamente como Hyena Takanashi) na animação audiovisual. Segundo ela, só foi possível produzir o curta graças à confiança e ao apoio constante dos colegas e professores. “Além do desafio técnico de animar meu primeiro curta, a temática tem um grande valor para mim: moro perto de um manguezal e vivencio diariamente a negligência e as ameaças que esse ecossistema sofre. Dar vida a essa crítica através da arte e transformar essa realidade em narrativa animada tornou o projeto inesquecível”, conta a jovem artista.
Além de ter aprimorado a qualidade de suas produções de vídeo, Ana Beatriz considera que um dos principais aprendizados foi entender como as suas ilustrações podem ser usadas de maneiras diversas em prol de sua comunidade: em fanzines, cartazes, cordéis, posts nas redes sociais e vários outros formatos.

“Participar da formação de educomunicadores com o FunBEA foi uma experiência transformadora. Como jovem ativista da minha região, foi muito importante para mim perceber que não estou sozinha. Poder aprimorar conhecimentos, levá-los para a minha comunidade e promovê-la foi um grande despertar das minhas vontades. Além disso, pude ver o quanto posso oferecer para o meu território através da minha arte”, afirma Ana Beatriz.
Saiba mais sobre o projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática”: https://www.funbea.org.br/narrativas-do-territorio-funbea-impulsiona-o-jornalismo-comunitario-e-a-justica-climatica-no-litoral-norte/
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
CBH-LN realiza reunião plenária e aprova indicação de projetos para o FEHIDRO

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) realizou a segunda reunião ordinária da Plenária de 2026, no formato presencial. A reunião foi realizada no Salão Monteiro Lobato da Secretaria Municipal de Educação de Caraguatatuba, e contou com a presença de 32 pessoas, entre membros e colaboradores do CBH-LN, incluindo representantes da Sociedade Civil, das Prefeituras e do Estado.
A mesa de abertura foi composta por Pedro Rego (vice-presidente do CBH-LN, representando a sociedade civil), Fábio Pincinato (Secretário Executivo do CBH-LN, representando o Estado), Auracy Mansano Filho (representando a prefeitura de Caraguatatuba), Daniel Mudat (prefeitura de São Sebastião), Giselle Jossei de Freitas (prefeitura de Ubatuba) e Maria Inez Fazzini (prefeitura de Ilhabela).




Projetos indicados
Os membros da plenária aprovaram por unanimidade a deliberação CBH-LN nº 249 de 2026, que trata da indicação de projetos selecionados no edital deste ano para financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). O pleito de 2026 recebeu uma grande quantidade de projetos inscritos, 18 no total. Desses, 14 foram classificados após análise realizada pelas Câmaras Técnicas do Comitê, somando uma demanda de R$ 7.882.230,14 em recursos, valor maior que o total disponível (R$ 5.078.550,46). Por isso, foi necessário fazer a classificação e a hierarquização das propostas, a fim de contemplar os projetos com melhor desempenho na pontuação.
Na indicação, também foi considerado que o pleito conta com duas fontes de recursos, a Cobrança Pelo Uso da Água e a Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), e que um mesmo projeto só pode ser financiado por uma das duas fontes. Pensando nisso, ficou definida a indicação de três projetos para financiamento com recursos da Cobrança Pelo Uso da Água: dois da Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta sobre resíduos sólidos e um da prefeitura de Caraguatatuba na área de drenagem urbana. Já em relação aos recursos da CFURH, foram indicados dois projetos, sendo um de infraestrutura verde do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA) e outro focado em educação climática para jovens, proposto pelo Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA). Outros nove projetos foram elencados como suplentes.



Projeto Comunica CBH-LN
Na reunião, também foram apresentadas as ações realizadas pelo projeto Comunica CBH-LN – Comunicação Social para a Gestão das Águas do Litoral Norte. O projeto de comunicação institucional do Comitê é executado pelo Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), com financiamento do FEHIDRO. A apresentação foi conduzida pela geógrafa, educadora ambiental e sócia-diretora do IPESA Lisa Yázigi, e pela jornalista Renata Takahashi. Conforme apresentado, o projeto busca divulgar as atividades do CBH-LN, fortalecer a transparência, a participação social e a educação ambiental na gestão dos recursos hídricos. Recentemente, o projeto foi tema de notícia no site do Comitê (clique aqui para saber mais).
Projeto RecriaMar: Oceano de Possibilidades
Outro projeto apresentado na reunião foi o RecriaMar: Oceano de Possibilidades, realizado pelo Instituto de Pesca e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), em parceria com o Programa Petrobras Socioambiental.
O projeto foi apresentado pela bióloga Débora Ramalho e pela oceanógrafa Luana Ambrósio. A iniciativa prevê ações como: reciclagem de redes de pesca em desuso, combate ao lixo no mar (com instalação de ecobarreiras), fortalecimento da pesca artesanal e das cooperativas de reciclagem, educação ambiental e produção de conhecimento científico. Siga o perfil no Instagram @recriamar para saber mais e acompanhar as ações do projeto.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Luíza Botelho
Projeto fortalece comunicação sobre gestão das águas

Desde 2024, a comunicação institucional do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) é realizada por meio do projeto “Comunica CBH-LN” do Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). O projeto utiliza diversas estratégias para ampliar a divulgação das ações do Comitê: produção de notícias para o site, produção de vídeos, postagens nas redes e canais do CBH-LN, produção de boletins informativos impressos e digitais, manutenção constante do site, além de assessoria de imprensa com envio de releases a veículos de comunicação locais e regionais.
Todos os conteúdos são produzidos sob a supervisão da Secretaria Executiva do Comitê, que realiza reuniões semanais junto à equipe do projeto. A produção dos conteúdos também segue as diretrizes do Programa de Comunicação Social do CBH-LN (2025-2028), elaborado no início do projeto com a participação dos membros do colegiado.
Para a coordenadora do projeto e diretora do IPESA, Lisa Yázigi, mais do que divulgar informações, a iniciativa fortalece a transparência, a participação social e a educação ambiental na gestão dos recursos hídricos. “Ao dar visibilidade às ações, projetos, investimentos, estudos e decisões construídas no âmbito do CBH-LN, o projeto amplia o acesso da sociedade ao trabalho realizado, para que seja conhecido para além de seus membros. A comunicação torna-se, assim, uma ferramenta estratégica para prestar contas à população, valorizar o esforço coletivo de instituições e representantes que se dedicam aos trabalhos do Comitê, incentivar o engajamento de novos atores e sensibilizar diferentes públicos sobre a importância da conservação das águas e da gestão participativa. Afinal, comunicar também é educar: ao traduzir temas técnicos em conteúdos acessíveis e promover o diálogo com a sociedade, o projeto contribui para a formação de uma cultura de cuidado com os recursos hídricos e de corresponsabilidade pelo futuro do Litoral Norte”, afirma Lisa.
Identidade visual
Em 2025, o logotipo do Comitê passou por uma atualização executada pelo Estúdio Dupla Ideia Design. A nova versão mantém o vórtex e as cores azul e branco no logo, mas a antiga fonte usada no texto foi substituída para deixar as letras mais legíveis. A mesma empresa de design também foi responsável pela elaboração do logotipo do projeto “Comunica CBH-LN”, que faz clara referência ao logo do Comitê, mas com a adição de um megafone (dispositivo portátil usado para amplificar a voz) e do nome do projeto.
Outra novidade de identidade visual realizada no âmbito do projeto foi a criação de um novo logotipo para a Câmara Técnica de Agroecologia, elaborado pela ilustradora e artista gráfica Patrícia Yamamoto, com acompanhamento e participação dos membros da CT-Agroecologia. Conforme explicado no “Guia de uso da identidade visual”, as linhas onduladas fazem referência a diversos elementos relacionados à agroecologia (água, linhas do relevo da Serra do Mar, linhas de plantio dos roçados, movimento, ondas do mar e linhas topográficas).
Notícias
O projeto tem publicado constantemente notícias no site do colegiado, abordando suas principais ações, como a gestão dos recursos hídricos e a governança do CBH-LN; editais e projetos financiados pelo FEHIDRO; saneamento básico e qualidade da água; drenagem urbana e adaptação às mudanças climáticas; educação ambiental e comunicação; projetos de sustentabilidade (compostagem, resíduos, agroecologia); conservação de rios e ecossistemas; participação social e integração entre instituições.
Redes sociais
Atualmente, as redes sociais são fundamentais na comunicação institucional, pois são amplamente utilizadas pela população em geral, e permitem a interação dinâmica junto aos internautas. Pensando nisso, o projeto “Comunica CBH-LN” publica com frequência postagens em suas diversas redes (Instagram, Facebook e YouTube – @cbhln), utilizando identidade visual autêntica, cards informativos sobre agenda de reuniões, chamadas de notícias, carrossel de fotos, conteúdos audiovisuais, apostando na comunicação multimodal para levar as informações do Comitê a um público cada vez maior e mais diverso.
De acordo com dados levantados por Tamires Sousa, da Firework, responsável pelas redes sociais e site do CBH-LN, entre o 2º semestre de 2024 e o 1º semestre de 2026, o perfil do Instagram passou de 1.396 para 1.875 seguidores organicamente, e passou de 250 usuários alcançados para 80 mil.
Boletins
O CBH-LN lançou um novo boletim institucional em 2025, que já teve 3 edições publicadas. O projeto prevê 16 edições no total. Cada edição tem sua versão digital disponível para leitura no site, além da versão impressa com tiragem de mil exemplares e distribuição gratuita nos 4 municípios do Litoral Norte. As edições trazem informações sobre as atividades do Comitê, os projetos FEHIDRO que estão em andamento e os já finalizados, temas relacionados à educação ambiental, dados do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos, entre outros. Até o momento, as 3 primeiras edições do boletim já somam juntas um total de 22.834 downloads no site do CBH-LN: https://cbhln.com.br/jornal-cbhln.
Outro boletim realizado por meio do projeto “Comunica CBH-LN” é o Roça Caiçara, jornal da Câmara Técnica de Agroecologia (CT-Agroecologia) do Comitê. A publicação impressa tem tiragem de mil exemplares e a versão digital pode ser lida no site do colegiado: cbhln.com.br/jornal-roca-caicara. A primeira edição produzida com apoio do projeto (edição nº 11) já teve mais de 6 mil downloads.
Site
O projeto atua na manutenção, atualização e suporte técnico constante do site do Comitê, a partir de demandas levantadas junto à Secretaria Executiva e demais membros do colegiado. São realizadas atualizações de notícias, informações e documentos; manutenções diversas como revisão de bugs e alertas relacionados ao funcionamento do site; inclusão de funcionalidade relacionada à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), atualizações técnicas de funcionalidades; reformulação de páginas; inclusão de relatórios de desempenho e configuração de funcionalidades para melhorar o posicionamento no Google e nas inteligências artificiais. Após essas e outras ações, a média de impressões do site do CBH-LN no Google aumentou de 2.500 para 40 mil, o que significa que o site tem aparecido cada vez mais nos resultados de pesquisa dos usuários.
Assessoria de imprensa
O serviço de assessoria de imprensa gerencia o relacionamento do CBH-LN com a mídia. Além do envio constante de sugestões de pauta, a assessoria monitora e compila as menções ao Comitê nos jornais, revistas, portais de internet e redes sociais. Desde o início do projeto, já foram contabilizadas pelo menos 38 inserções de notícias sobre o Comitê em 15 veículos de imprensa locais e regionais, além de 3 sites institucionais de prefeituras do Litoral Norte. Com isso, as notícias do CBH-LN chegam a mais pessoas, ampliando o alcance das ações do colegiado.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte completa 29 anos de atuação em defesa das águas

No dia 2 de agosto, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) comemora 29 anos. O colegiado foi instituído em 1997, após o desmembramento do Comitê do Vale do Paraíba e do Litoral Norte, com o objetivo de criar um fórum regional mais focado nas particularidades da região, que abrange 4 municípios paulistas litorâneos: Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.
Membro da atual composição do CBH-LN representando o Estado, Rosa Maria Machado Mancini trabalha há 40 anos no Sistema Ambiental Paulista e participa do colegiado desde sua criação. Ela recorda que participou da implementação da Lei 7.663 de 1991, que estabeleceu normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos e ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
“As nossas atividades incluíam organizar a base de dados das bacias hidrográficas e apoiar a criação dos Comitês em parceria com o DAEE, hoje SP Águas. Essa foi uma fase muito dinâmica do nosso trabalho, quando percorríamos o Estado para organização dos colegiados. O Litoral Norte, conforme foi concebida a organização do Estado, faria parte de um único Comitê juntamente com o Paraíba do Sul e Serra da Mantiqueira. Isso não agradava a ninguém, assim fizemos um movimento forte para que nossa individualidade e peculiaridades fossem respeitadas e nos separamos: não queríamos ser o quintal de veraneio do Vale! Eu fiquei como responsável para apoiar a criação do CBH-LN, pois tinha raízes em Ubatuba”, conta Rosa.
Então, ela começou a identificar quais entidades do setor público tinham atuação na região, mapeou entidades da Sociedade Civil e identificou interlocutores das Prefeituras Municipais. “Quem me apoiou nessa fase e tornou-se o primeiro Secretário Executivo do CBH-LN foi Luiz Roberto Numa de Oliveira, Bepo, funcionário da Fundação Florestal e chefe do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual Serra do Mar (PESM). Nossa chefe, Stela Goldenstein, Secretária de Meio Ambiente Adjunta e depois titular, nos apoiou nas tarefas e depois de pouco mais de um ano criamos o CBH-LN tendo como primeiro Presidente Antônio Carlos da Silva, na sua primeira gestão em Caraguatatuba, como Vice-presidente Marcos Couto e como Secretário Executivo Bepo”, recorda Rosa.
Apesar de não ser membro nessa época, ela apoiava a Secretaria Executiva formada por Bepo e Viviane Buchianeri. Rosa escreveu o primeiro regimento da Câmara Técnica de Planejamento e Assuntos Institucionais, acompanhou a contratação dos primeiros estudos para elaboração do diagnóstico do Litoral Norte e elaboração do primeiro Plano de Bacias, sob responsabilidade do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Nessa época foram delimitadas as 34 bacias hidrográficas do Litoral Norte para facilitar a gestão.
Em 1999, Rosa se mudou para o litoral para trabalhar na Agência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de Ubatuba, cujo gerente à época era Sylvio Bohn. No pedido de transferência, já havia a intenção de apoiar a Secretaria Executiva do CBH-LN, que à época tinha como sede uma casa no Horto Florestal de Ubatuba. Em 2001, ela passou a integrar a Secretaria Executiva e permaneceu até o início de 2007, quando foi chamada a assumir a Coordenadoria de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, mas nunca deixou de acompanhar as atividades do Litoral Norte.
Entre os momentos marcantes do CBH-LN, Rosa destaca a longa batalha pela implementação da Cobrança pelo Uso da Água, que hoje representa um montante de recursos significativo para financiar projetos na região. Outra iniciativa destacada por ela foi a criação do Grupo de Trabalho Ministério Público e Órgãos Ambientais (GT MPOA), que integrava o MP Estadual a órgãos ambientais dos 3 níveis de governos, com destaque para a atuação da Promotora de Justiça Elaine Taborda, com o objetivo de enfrentar a pressão sobre o meio ambiente na região.
Outro membro da atual composição do CBH-LN que também participa do colegiado desde seu início é o arquiteto Paulo André Cunha Ribeiro. “Minha participação no CBH-LN começou em 1998, logo após a criação do Comitê. Na época, passei a representar a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Caraguatatuba, após assumir a presidência da entidade. Ao longo dessa trajetória, tive a oportunidade de representar diferentes segmentos que compõem o sistema de gestão participativa das águas. Atuei pela Sociedade Civil organizada, por meio de entidade ambientalista e de entidade de classe, atualmente representando o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Também participei pelo Poder Público durante o período em que exerci o cargo de Secretário Adjunto de Meio Ambiente e Urbanismo de Caraguatatuba. Essa diversidade de representações permitiu conhecer o Comitê sob diferentes perspectivas, sempre com o mesmo propósito: contribuir para a gestão sustentável dos recursos hídricos do Litoral Norte”, relembra Paulo André.
Durante todos esses anos de atuação, ele já exerceu a Vice-Presidência do Comitê por quatro mandatos, atuando ao lado de diferentes prefeitos, gestores públicos e representantes dos diversos segmentos que compõem o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos. “O que considero mais valioso no CBH-LN é justamente seu modelo de governança tripartite, reunindo Poder Público, Sociedade Civil e usuários da água em um espaço democrático de diálogo e construção de consensos. Essa integração permite deliberar sobre políticas públicas fundamentais para garantir água em quantidade e qualidade para o abastecimento da população, para as comunidades tradicionais e isoladas, para o turismo e para as atividades econômicas da região”, avalia o arquiteto.
Para ele, um momento marcante foi o período em que a Sociedade Civil protagonizou uma participação extremamente ativa, fazendo com que o CBH-LN se destacasse como um dos Comitês com maior número de projetos da Sociedade Civil financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). “Nesse contexto, tive a oportunidade de coordenar 4 projetos financiados pelo Fundo. Entre eles, destaco um projeto de educação ambiental desenvolvido junto à comunidade isolada do Canta Galo, que foi selecionado entre mais de 6 mil projetos nacionais para ser apresentado como referência em um Congresso Nacional de Saúde Pública, um reconhecimento que muito nos orgulha”, destaca Paulo André.
Quem também participa do Comitê desde a sua instituição em 1997 é o engenheiro civil e especialista em Gestão Ambiental, Auracy Mansano Filho, que atualmente é membro titular do segmento municipal representando a Prefeitura de Caraguatatuba. “A participação dos Municípios nos Comitês de Bacia Hidrográfica é importante para garantir que o Estado possa ouvir as necessidades do segmento em relação à gestão dos recursos hídricos, com a legitimidade garantida pela participação da Sociedade Civil. Os recursos do FEHIDRO geridos pelo Comitê, apesar de serem pequenos, foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade, especificamente em Caraguatatuba”, afirma Auracy.
O engenheiro civil, que é Secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Caraguatatuba, destaca a importância do Comitê na união entre a Sociedade Civil, o Estado e os Municípios. Para ele, um dos momentos mais marcantes do CBH-LN em todos esses anos foi a aprovação do projeto FEHIDRO em 2003 que contemplou a implantação do sistema de esgoto sanitário na Ilha do Sol, localizada no bairro Rio do Ouro em Caraguatatuba. “O local era conhecido anteriormente como Ilha do Terror, e a implantação da infraestrutura de saneamento básico foi essencial para sua adequada urbanização. O projeto também contemplou a realização de campanhas educativas, para garantir que os munícipes realizassem a ligação, com apoio aos hipossuficientes, sendo considerado à época o melhor projeto financiado pelo FEHIDRO no Litoral Norte”, recorda Auracy.
Esses depoimentos, carregados de boas lembranças e memórias, reforçam a valiosa contribuição do Comitê para o desenvolvimento sustentável do Litoral Norte paulista nesses 29 anos de atuação. Parabéns ao CBH-LN e a todos que fazem parte dessa história!
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Agentes de saúde de Ubatuba participam de formação de educação socioambiental

Neste mês de julho, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA) iniciou o curso de formação de educação socioambiental para agentes municipais de Ubatuba. A formação é realizada no âmbito do projeto “Ambientes Azuis Saudáveis”, selecionado pelo edital FEHIDRO CBH-LN em 2025, e conta com a parceria da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Ubatuba.
O objetivo é capacitar 143 agentes comunitários de saúde (ACS) e 23 agentes de controle de endemias (ACE) sobre temas socioambientais que se aplicam no contexto do município de Ubatuba. “Os agentes são profissionais que conhecem muito bem o território, porque estão na rua, no dia a dia das famílias, por todo o município. Nesse sentido, eles são muito estratégicos e possuem muito conhecimento. O que o projeto propõe é uma troca: nós trazemos temas ambientais importantes para serem discutidos junto aos agentes, aproveitando o olhar deles para os desafios de cada região”, afirma a supervisora do projeto, Lisa Yázigi.
O curso é presencial e possui carga horária de 40 horas, abordando temas como saneamento integral (água, esgoto, resíduos e drenagem), sociobiodiversidade, alimentação saudável e agroecologia, mudanças climáticas e desastres, lições e ferramentas de experiências de base comunitária. “Saúde e meio ambiente caminham juntos. Cuidando do ambiente é possível melhorar a saúde das pessoas e a qualidade de vida da população. Um exemplo prático: se uma família mora perto de um ponto de descarte irregular de lixo, isso pode atrair arboviroses, que são doenças virais transmitidas por artrópodes, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela”, explica a coordenadora do projeto, Clara Jacq.
Os agentes foram divididos em 4 turmas, conforme suas regiões de atuação: Sul, Centro, Norte e Oeste. A metodologia do curso envolve aulas expositivas com conteúdos técnicos e dinâmicas de grupo. Cada participante recebe uma apostila didática com textos de apoio e indicações bibliográficas.
As aulas são conduzidas por professores especialistas nas temáticas do curso, que procuram ensinar de forma dialogada e estimulando os alunos a debaterem sobre os desafios e potencialidades socioambientais de seus territórios de atuação. No final da semana formativa, os agentes constroem árvores do futuro, apresentando soluções que possam ser implementadas.
Ao final do curso, também está prevista a elaboração do livro intitulado “Ambientes Azuis Saudáveis – Ubatuba pelos seus agentes”, publicação que documentará o processo formativo, apresentará os mapas territoriais produzidos nas aulas e sistematizará as boas-práticas aprendidas, mirando ações futuras.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Luiza Botelho
Projeto oferece curso digital gratuito sobre tratamento de esgotos em comunidades isoladas
Em junho de 2026, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), a Fluxus Design Ecológico e o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), realizaram o curso “Manejo da Água: Sistemas de Tratamento de Esgotos em Comunidades Isoladas”.
A iniciativa focou em soluções sustentáveis pensadas para locais que ainda não são atendidos pelo sistema público de saneamento, situação apontada pelo CBH-LN no Relatório de Situação dos Recursos Hídricos como motivo de preocupação para a qualidade das águas da região.
Inicialmente havia 70 vagas para o curso, mas como a procura foi muito grande, o projeto foi reorganizado e abriu mais vagas, chegando a 470 inscritos. “Acredito que essa grande procura reflete uma realidade muito presente em diversos territórios brasileiros: a demanda por soluções de saneamento para comunidades isoladas ainda é enorme. Existem muitas pessoas, instituições, organizações sociais, profissionais e gestores públicos trabalhando diretamente com essas comunidades e buscando alternativas viáveis para enfrentar um desafio que impacta diretamente a saúde das pessoas, a qualidade de vida e a conservação ambiental. Além disso, a possibilidade de realizar o curso de forma online certamente contribuiu para ampliar o acesso”, afirma a geógrafa e sócia diretora do IPESA, Lisa Yázigi.

A bióloga colaboradora da Fluxus e coordenadora técnica do curso, Isabel Figueiredo, explica que o curso foi online, com 5 aulas de 1h30 que ocorreram às segundas-feiras do mês de junho de 2026. “Os materiais do curso incluem 5 apostilas e 5 vídeos preparados pelo IPESA e Fluxus, além das apresentações utilizadas em aula e as próprias aulas gravadas. Os participantes puderam interagir fazendo perguntas para os professores pelo chat. Receberá certificado quem esteve presente em pelo menos 4 das 5 aulas online. Também será realizada uma aula prática opcional, em Ubatuba (SP), ainda sem data definida”, informa a coordenadora.
Lisa Yázigi avalia que o curso abordou temas fundamentais para o saneamento em comunidades isoladas e proporcionou aos participantes uma formação qualificada, conectada tanto aos desafios práticos quanto às discussões mais atuais sobre o tema. “Para nós, a realização deste curso representa muito mais do que uma ação de capacitação. Entendemos que ele é uma ferramenta de mobilização, articulação e fortalecimento de redes. É uma oportunidade de instrumentalizar pessoas que atuam nos territórios, apoiar a busca por soluções adequadas às realidades locais e contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, conclui a geógrafa.

As aulas estão disponíveis no canal do IPESA no Youtube (@IPESASocioambiental), na playlist “Curso Manejo da Água – sistemas de tratamento de esgotos em comunidades isoladas“.
Além das aulas, estão disponíveis também outros materiais para download. Acesse: https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1YmYJT9x60UrPUwOCJ7_ThUjPKSvWyRyi.
*Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Por que a praia do Itaguá é poluída?

Em Ubatuba (SP), a praia do Itaguá é frequentemente vista com a bandeira vermelha da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que aponta que a água está imprópria para banho.
A praia do Itaguá é monitorada pela CETESB em dois pontos distintos, um na altura do número 240 da Avenida Leovigildo Dias Vieira (perto da foz do rio Tavares) e outro na altura do número 1676 (perto da foz do rio Acaraú). A bandeira vermelha é frequente nos dois pontos, mas próximo ao rio Acaraú a situação é pior.
No site da Cetesb, no quadro que mostra a evolução da qualificação anual das praias em um período de 10 anos (2016 a 2025), a praia do Itaguá, no ponto mais próximo ao Acaraú, é classificada como “péssima” durante todos os anos. A classificação “péssima” é atribuída às praias que ficaram impróprias em mais da metade do ano.
Parte importante da poluição da água da praia do Itaguá chega por meio do rio Acaraú, que também é monitorado pela CETESB, em um único ponto, próximo à ponte da Rua Basílio Cavalheiro, ao lado da Estação Elevatória da SABESP. No Relatório de Situação dos Recursos Hídricos 2025, elaborado com dados de 2024, o rio Acaraú tem Índice de Qualidade da Água (IQA) 28, considerado ruim. O Índice de Estado Trófico (IET) 63, considerado eutrófico, também preocupa, pois aponta que há excesso de nutrientes, provavelmente causado por ação humana, que estimula o crescimento descontrolado de algas e plantas aquáticas, diminuindo o oxigênio dissolvido, podendo impactar a fauna.
Segundo a CETESB, esse ponto de monitoramento do rio Acaraú possui uma programação anual de 4 coletas, uma por trimestre. A amostra de água coletada passa por análises dos parâmetros físicos, químicos e biológicos. O Laboratório Descentralizado de Taubaté é o responsável por coletar e analisar as amostras das cidades do Litoral Norte.

A grave situação da qualidade do rio Acaraú, o mais poluído por esgoto da região, é apontada há anos pelo CBH-LN, tanto no Plano de Bacias como no Relatório de Situação dos Recursos Hídricos. O rio tem 17.745 metros de extensão, nasce próximo do bairro Sesmaria, passa pelo bairro Estufa II, recebe um afluente da Praia Grande, passa pelo bairro do Tenório e deságua no canto direito da praia do Itaguá. Os documentos mencionam que há ocupação desordenada abaixo da nascente do rio e que ele atravessa áreas densamente urbanizadas, recebendo efluentes domésticos tratados e não tratados, o que intensifica sua degradação.
Assim, a despoluição da praia do Itaguá passa pela despoluição do próprio rio Acaraú que nela deságua. A ampliação da coleta e tratamento de esgotos, implantação de sistemas de drenagem eficientes, regularização de ocupações, eliminação de ligações clandestinas, limpeza e recuperação dos leitos, além de programas permanentes de educação ambiental são ações que podem reverter a situação. Outra ação recomendada é ampliar o monitoramento das águas do rio, para ter mais informação e controle dos focos de poluição.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Renata Takahashi




















